A ciência espiritual que atuar na vida prática quer dar ao Homem força e segurança.

Não é assunto para pessoas curiosas e, sim, para aqueles que querem ser atuantes e que estão dispostas a colaborar energicamente na vida.

Houve ciência espiritual em todas as épocas. Nos círculos em que era praticada, era voz corrente que o homem era capaz de desenvolver, para além da mera força de raciocínio, forças espirituais superiores às da vida comum. O nexo entre o conceito de sagrado, intacto ou salvo e salutar (“heilg, heil e heilsam”, em alemão) sempre era sentido ali. O Espírito Santo é o espírito absolutamente são que mergulha na alma humana, a fim de espalhar salvação no mundo.

Mas é justamente a partir desse ponto de vista que a ciência espiritual, freqüentemente, é mal interpretada. Ela conduz o homem de metas egoístas de conhecimento, saber e aspiração, para pontos de vista universais, para a união do indivíduo com o Universo. Mas as forças superiores que a ciência espiritual dá com isso, atraem tantas pessoas e as incitam a uma ambição egoísta. Mesmo que a ciência espiritual, em verdade, afaste o homem ao máximo do lado pessoal, amiúde é usada como serva do egoísmo. De um dia para o outro, as pessoas querem que ela preencha os seus desejos egoístas.

Havia ciência espiritual no âmbito de uma irmandade na África, os Terapeutas. A mesma irmandade tinha o nome de essênios na parte da terra onde nasceu o cristianismo. Já o nome de terapeutas indica sua ligação ao espírito e à saúde. Os terapeutas ou essênios curavam por meios espirituais em conexão com a ciência material. Quem aceita a ciência espiritual recebe reais remédios: a ciência espiritual é um elixir da vida. Não tem de ser comprovada por discussões e razões lógicas mas introduzida na vida, ela deve tornar são e salvos aqueles homens que a acolhem. O mero fato de saber que existe reencarnação e carma e falar disso em belas frases equivale a uma não ciência espiritual. Devemos viver nela a toda hora e todos os dias, totalmente compenetrar dela a alma e aguardar calmamente o que acontecer; aí perceber-se-á o seu efeito. Quem levar dentro de si os pensamentos da ciência espiritual como alimento e semente, nas horas de pena e alegria, em horas de devoção e elevação, em horas em que a vida está na iminência de se despedaçar; quem sentir como eles trazem estímulo ao trabalho energia e esperança  aprendeu-a corretamente. Vale aqui a palavra de Goethe: “cogite o que, mais ainda o como”.

A ciência espiritual tem de tornar-se um assunto bem individual de cada homem. O homem ativo na ciência espiritual levanta os olhos aos astros, compreendendo-o conforme as leis da vida que permeiam todo o universo. Quando, de manhã, o sol se levanta em toda sua magnificência e, à noite, a lua no seu silencioso esplendor, quando as nuvens passam no firmamento, o homem levanta os olhos e os processos no firmamento lhe são a manifestação da vida universal anímico-espiritual, tal qual vemos nos movimentos de um semblante ou de uma mão a expressão da vida anímico-espiritual no homem...

A ciência espiritual atenta para cada detalhe, exigindo que nos interessemos com amor por cada planta, cada pedra. Não queremos procurar por magia o mundo espiritual. Porém, não devemos procurá-lo afastados dos sentidos, mas lá onde nos encontramos no trabalho eficaz do dia.

O saber que o homem ganha penosamente por via de experimento pode se tornar sabedoria. Sabendo refundir o vivo em algo pleno de cor, som e luz, em imaginação, a pessoa se tornará sábia.

O homem deve ter a força de transformar numa imagem viva o que apenas sabe.
A sabedoria enche o homem de força vital e a força juvenil é algo que o torna forte e vivaz.

Tal sabedoria abre a alma e é o germe do amor.

Saber, conhecer, ser sábio é o fundamento de todo poder de ajuda ao homem.

(Parte do texto “Sabedoria e Saúde” de Rudolf Steiner.)